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Há coisas que irritam, não há?

Já repararam que tenho aqui uma categoria que se chama berlaitadas? Foi criada para os posts que não têm nada a ver com o assunto “ganhar dinheiro” (ainda que eu ache que todos os posts, mesmo que não falem do assunto servem o objectivo…). Pois bem, este é um daqueles posts em forma de berlaitada!

Não assino nenhuma revista de informática mas, de vez em quando, gosto de comprar uma e normalmente escolho a PC Guia. Gosto da revista ainda que seja uma cópia de uma qualquer congénere inglesa, à semelhança do que se passa com a grande maioria das revistas especializadas editadas em Portugal.

Mas esta simpatia que nutro pela PC Guia ficou melindrada quando li a edição de Agosto, nomeadamente quando li um artigo publicado na última página, assinado por um tal gato ou blog do gato.

Esta personagem discorre acerca do computador portátil de baixo custo produzido por uma empresa portuguesa. O computador tem o nome de Magalhães e esse facto, aqui, interessa apenas para que vocês possam identificar mais facilmente do que estou a falar.

O senhor ou senhora do blog do gato não gosta que se diga que este é um computador português porque a ram é produzida na China, a motherboard vem da Tailândia e sei lá o que mais. Diz ele ou ela que a única coisa portuguesa é a montagem do aparelho e que portanto não se deveria fazer gala da etiqueta “produto nacional”.

Ora, por esta ordem de ideias, as sapatilhas Nike que tenho calçadas também não são americanas, já que têm uma etiqueta que diz “Made in Indonesia” e os computadores HP também não são americanos porque a grande maioria dos componentes também é produzida na Ásia… e por aí fora.

É verdade que os componentes não são portugueses (ainda que eu tenha visto uma notícia na TV em que se dizia que alguns deles sim eram fabricados em terras lusas), mas o projecto, o design, as indicações de produção são de uma empresa nacional. Isto, caro amigo ou cara amiga chama-se mercado. Produzir na China é X vezes mais barato do que produzir aqui e todos sabemos porquê.

O que esta empresa fez foi conceber um produto e mandá-lo fazer onde lhe sai mais barato, à semelhança do que as grandes multinacionais, de várias áreas, fazem. Aliás, não é a única empresa portguesa a agir dessa forma. De repente, lembro-me da NDrive. Ou vocês acham que os GPS deles são fabricados no Vale do Ave? Vem tudo da China meus amigos, feito à medida e tendo em conta as específicações da NDrive.

Repito: este tipo de atitude, vinda de um órgão de comunicação social, irrita-me. Ainda que o texto em causa possa ser classificado como opinião, a PC Guia, uma das mais conceituadas publicações informáticas nacionais, não deveria tratar desta forma um projecto português que teve a coragem de dar um passo em frente nesta área.